Dizem que os Virgem sπo bons observadores e atentos especialistas na vigilΓncia inteligente dos seus congΩneres. Nada mais certo na personalidade de Francisco de Quevedo, notßvel vigia de uma sociedade da que nπo gostava e que conhecia em profundidade em todos os seus cφrculos. A ·nica coisa que nπo encaixa com a descriτπo caracterol≤gica Θ a conhecida capacidade dos Virgem para verem sem serem vistos, para ouvirem sem serem ouvidos e para passarem inadvertidos entre a massa an⌠nima.
Francisco de Quevedo y Villegas foi inteligente, observador, trabalhador, mas, sobretudo, foi um ousado, um lanτado defensor de causas perdidas; porque a hipocrisia do seu tempo (como a de todos os tempos) era inaceitßvel e a construτπo social, piramidal e esmagadora para os cimentos empobrecidos de uma Espanha intransigente e metida nas lutas soterradas do poder teocrßtico, nπo podia ser vista com bons olhos nem aceite por uma pessoa sensφvel. A obra completa de Quevedo, poesia e prosa, Θ um monumento ativo da ciΩncia posterior, da sociologia ou psicologia, embora tais denominaτ⌡es nπo possam ser aplicadas com essa data tπo afastada. Como acrΘscimo fundamental, Quevedo deu α sua obra o toque corrosivo, inteligente e l·cido do humor.
Na sua formaτπo devia ter prevalecido a curiosidade dos Virgem, pois estudou teologia na Universidade Complutense de Alcalß de Henares, com os estudos das lφnguas mortas, e entπo ainda universais, do latim, grego e hebreu, passou revista ao ßrabe pr≤ximo dos mouros vizinhos, ao italiano dos mediterrΓneos mais felizes e ao francΩs do outro mundo mais livre do que o negro e nefasto dos ┴ustrias, reis de guerras de religiπo, de mosteiros e de poucas brincadeiras. Os Virgem, conforme a norma, costumam ser felizes nadando entre as duas ßguas que marcam os limites do anonimato: o superior da brilhante inteligΩncia e o inferior da total estupidez. De maneira que, nπo cumprindo tais regras do inc≤gnito e tomando claro partido por acentuar a sua presenτa, Francisco de Quevedo continuou sendo observador Virgem, mas nπo cumpriu no capφtulo da discreτπo que lhe correspondia. Talvez tal rebeldia fosse a causa astral dos repetidos castigos sofridos nas suas magras carnes, mas tambΘm nπo seria s≤ por rebeldia para o Zodφaco pelo que teve que pagar tanta fatura, que os senhores da Terra costumam ser bastante mais cruΘis do que os amos dos planetas. Nπo imaginamos ao Sol queimando a pele do s·bdito astral por ter desafiado a linha que marcou o seu nascimento, a Lua desequilibrando a sua mente por atrever-se a sentir ou a pensar noutras direτ⌡es. Sπo bastante piores os efΩmeros indivφduos que partilham o nosso tempo e que tΩm pequena ou grande parcela de poder sobre as nossas castigadas vidas.
O nosso bom Quevedo vai para a Itßlia e lß comeτa a ser personagem p·blico ao lado do duque de Osuna, vice-rei de Nßpoles, e lß, na incomparßvel beleza da sua baφa, aprenderia mil e uma canτ⌡es de enganos e trapaτas.
VIRGENS C╔LEBRES
William Golding, Greta Garbo, Sofia Loren, Isabel I de Inglaterra, Lauren Bacall.